Meu outubro rosa

Então meus cabelos caíram, adotei os lenços como meus aliados diários e a vida segue!!! Com apoio de pessoas que vivenciam ou vivenciaram o câncer, tudo fica mais leve!!! Então veio à tona meu primeiro outubro rosa!🎀🎀

Primeiro outubro rosa que passei com uma outra forma de analisar e encarar o câncer, doença que assusta e te faz ver a vida com outros olhos!

Para mim até então, o outubro rosa era dedicado à Barbie Alexandra, minha amiga guerreira que já enfrentou o tratamento por duas vezes e continua linda e determinada!

Agora havia surgido a oportunidade de curtir meu outubro rosa diferente!

Participei de um evento promovido pela oncologia do HSC, sob o convite da Dra Denise, com pintura de lenços no ateliê VanCleve, onde conheci outras meninas que venceram ou ainda lutam contra o câncer; participei de um workshop com amarrações de lenços ministrado pelo blogueira Fernanda Rosa Real, a qual com sensibilidade e sabedoria, tornou uma sexta-feira de químio muito mais agradável; recebi flores das minhas amadas Alexandra e Adriana, almas únicas que Deus colocou em minha caminhada para fazer com que tudo flua naturalmente.

Recebi também uma homenagem de minha amada aluna na Câmara de Vereadores Mirins referente ao Dia do Professor, onde a doce Bárbara usava lenço sobre sua nobre cabeleira, tornando o momento muito mais emocionante!

Participei de uma caminhada promovida pela Rede Feminina de Combate ao Câncer de Blumenau, momento muito especial e representativo.

Sigo agora percebendo que algumas coisas acabam por nos apresentar significados diferentes em momentos diferentes, no momento certo, no momento que era para ser! Sigo feliz e confiante, que tudo já deu certo!!! Assim me dizem as mais sábias que comigo estão nessa caminhada: “Já deu certo!”🙏🏽🙏🏽🙏🏽

A queda do cabelo

Recuperada do envenenamento da primeira sessão de quimioterapia, segui trabalhando normalmente e também realizando meus treinos de Cross e corrida, porém com intensidades menores! Ao receber o diagnóstico e ser informada que faria químio, minha pergunta foi: “o que muda em minha vida?” E a resposta dada tanto pela Dra Katia quando pela Dra Denise foi: “nada que você não queira!” Trabalho e treinos mantiveram minha cabeça ocupada; assim não dedicava meu tempo a pensar no efeito devastador do tratamento.

Como haviam me dito, meu cabelo começaria a cair entre dez a quinze dias após a primeira sessão. E exatamente no dia 30 de setembro, quinze dias após a primeira aplicação da medicação, tufos de cabelo foram abandonando meu couro cabeludo! Chorei! Nesse momento eu realmente chorei.

Estava passando o final de semana com minha madrinha Yara em Penha, na casa de minha madrinha Iria, recebendo delas carinhos e mimos, quando esse momento esperado e inesperado aconteceu.

Tomando banho, buracos foram aparecendo e muito, mas muito cabelo juntava – se ao ralo… Cruel!

Carinhosamente, ambas ajudaram-me a secar o que ainda restava. Sensação indescritível! Meu cabelo caindo… Foi uma noite triste!

Passaram-se domingo, segunda, terça… Eu tentava ajeitar com lenços o que ainda restava! Tinha medo de levar a cabeça! Quarta-feira, dia 04 de outubro, fui ao salão fazer a unha, salão este onde eu havia feito meu corte de cabelo!

Rosali, amorosa cabeleireira, ofereceu-se para raspar! Eu disse: “Hoje não! Pode ser amanhã?” Ela sorriu e disse: “Quando te sentires mais à vontade!”

Na quinta-feira, dia 05 de outubro, ao meio dia, Mayla, outro anjo em minha caminhada, foi comigo ao Point da beleza, e lá pude raspar meu cabelo! Que sensação! Mayla e Rosali estavam emocionadas! Fiquei observando acontecer! Aconteceu! Agora segue a vida com lenços!!

A primeira quimioterapia

Com o fôlego já retomado, o susto já amenizado e o desejo de cura, chegou o dia da primeira sessão de quimioterapia; 15 de setembro de 2017, sexta-feira, às 8h, na Oncologia do Hospital Santa Catarina.

Um tanto ansiosa, fui acompanhada por minha adorável madrinha Yara, esta que desde o momento em que recebi o diagnóstico, sempre esteve presente com suas palavras que me transmitiam coragem e aceitação!

Sim, aceitação! Faz parte da luta você aceitar e desenvolver estratégias para que a coisa flua! A cabeça é que manda! Palavras que podem ser aplicadas tanto para longos percursos de corrida, bem como para um tratamento de câncer!

A oncologia do HSC possui um ambiente um tanto humanizado, o que torna o processo menos doloroso! Você quase não percebe que está entrando em um local onde medicamentos fortíssimos entrarão em seu corpo para matar suas células cancerígenas e todas as outras que aparentemente são saudáveis!

Senti-me bastante segura! Uma grande equipe vem acompanhar meu tratamento: psicóloga, nutricionista, enfermeiros; todos simpáticos, atenciosos e éticos! Percebi a oportunidade de buscar a minha cura em um local de excelência na qualidade dos procedimentos realizados!

Minha irmã Melissa que no hospital trabalha também se fez presente nesse delicado momento do início de um período que eu viveria pelos próximos meses!

Recebi várias bolsas de medicamentos por via intravenosa! O planejamento inicial: quatro sessões de químio vermelha a cada 21 dias.

Recebi um gostoso café da manhã e lá mesmo também almocei! Ao término da sessão, já por volta de 13:30, a Dra Denise indicou-me medicamentos que tomaria para enjoos e alergia! Saí do hospital muito bem!

Bem até chegar em casa! Ao entrar em meu quarto, pensando agora em uma tarde de repouso, uma enorme sensação de envenenamento subiu-me pela garganta, combinada com um forte enjoo! Vonau!!! Medicação para conter tais efeitos teve que ser rapidamente administrada!

Coloquei -me em posição fetal! Não podia mexer-me nem pensar em levantar! Assim foram as minhas primeiras horas com a medicação em meu corpo!

Minhas queridas amigas Tau, Carol, Dessa e Jana haviam preparado um gostoso encontro regado a berinjela gratinada! Pude comparecer ao momento acolhedor, mas nada de apreciar o delicioso prato! 😔

A primeira noite não foi nada fácil! Dores nas costas e muito, muito enjoo! E sábado com a mesma sensação desconfortável! Comer? Nem pensar!!! Entrei em contato com a Dra Denise, que me receitou um ansiolítico; a partir disso, pude pensar em ingerir algo além de picolés de limão, única coisa que até então meu corpo havia aceitado!

No almoço de domingo, 48 horas após a sessão, fiz então minha primeira refeição! Ufa!!! Reagindo!!!

Da descoberta ao diagnóstico

Quarta-feira à noite, 21 de junho de 2017, após uma deliciosa aula de corrida, fui ao banho. Ao passar o sabonete sobre o corpo, senti algo em minha mama esquerda que no dia anterior não fazia parte de mim…

Liguei no dia seguinte para o consultório solicitando consulta! Na semana seguinte, lá estava eu no consultório da Dra Katia realizando exames! Primeira informação: cisto em processo infeccioso! Antibióticos!

Mas como de costume, em julho já faria a rotina mamografia e ultrassom! Aguardei alguns dias após o uso dos antibióticos e fui fazer os exames de rotina no dia 09 de agosto, com a biópsia no dia seguinte!

Ao buscar os resultados de mamografia e ultrassom, a informação era: nódulo livre de malignidade! Senti – me mais aliviada!!!

Porém, ao retornar ao consultório, em 29 de agosto, a biópsia havia acusado “carcinoma “. Palavra um tanto assustadora; então você converte e toma consciência: estou com câncer de mama!!!

Deu ânsia de vômito, deu tontura, deu medo! O anjo da Dra Katia ficou ao meu lado, pronunciando palavras de força e determinação!!!

“O que farei agora?”, perguntei.

“Exames!”, ela respondeu!

O Universo passou a conspirar ao meu favor, e na terça-feira da semana seguinte voltei ao consultório com os resultados de ressonância, cintilografia, ultrassom, eletrocardiograma e ecocardiograma! Um único tumor com 5,5 cm!

E agora, qual serão os passos a serem tomados…. iniciaremos pela quimioterapia para a redução do tumor!!!

“Eu fazendo quimioterapia.” Nunca pensei nisso!!!

Dra Katia amorosamente me encaminhou para a Dra Denise, que carinhosamente me acolheu; era o dia de seu aniversário! Explicou-me tudo sobre o câncer e a medicação a ser utilizada! Dia 13 de setembro, saindo do salão após o corte de cabelo, recebi a ligação da oncologia: “Kalinka, vamos fazer a químio amanhã? ”

“Amanhã? Pode ser na sexta-feira?”

Então na sexta-feira, dia 15 de setembro, dei início ao meu tratamento quimioterápico! E continuo na luta, sentindo-me vitoriosa!!! 💪🏽💪🏽💕💕

Hoje, 4 de fevereiro de 2018, comemora-se o Dia Mundial do Combate ao Câncer, dia esse que me fortalece e reforça a ideia de que não estou só!

Uma amizade que surge…

Então como minha querida amiga Ane já havia anunciado, irei fazer minhas contribuições no blog, relatando um pouco da minha experiência com o câncer!!!

Aliás, a amizade que temos hoje, não é mesmo, querida Ane, surgiu justamente do fato de compartilharmos duas coisas que temos em comum: o câncer e a corrida!!! Sim, o câncer e a corrida!!! Nos conhecemos inclusive em uma prova, a corrida noturna!!! Eu, após ter feito minha primeira sessão de quimioterapia, e ela, já familiarizada com os efeitos da mesma!!!! 🏃🏽‍♀️🏃🏽‍♀️

Teremos muitas coisas para relatar aqui, pois o universo da corrida e do câncer é muito vasto!!! O do câncer principalmente!!!!

A força que se tem para lutar e se manter bem precisa vir de algum lugar. A corrida pode ter esse papel!

Sou Kalinka de Souza, havia iniciado minha vida como corredora em janeiro de 2017, e estava evoluindo maravilhosamente bem em meus treinos! Inclusive descobri meu tumor em uma quarta-feira, dia 21 de junho de 2017, no banho, após um treino de corrida.

Pensei: “Opa! Isto não estava aqui ontem!” Liga para o consultório, pede consulta, era algo grande! Desconfortável sentir o sabonete batendo em um corpo estranho dentro de você!!

Examina, verifica, solicita mamografia e ultrassom! Mas o que era então aparentemente um cisto parece crescer! Realiza-se uma biópsia e em 28/08 que surge o diagnóstico: câncer de mama!!!

Você sai do consultório com um calhamaço de guias solicitando milhões de exames para saber como procederá o tratamento!! São tantos os sentimentos que ali surgem: o medo, a insegurança… o que farei agora?

Sete dias após o diagnóstico e retornando ao consultório da amável Dra Katia, que foi uma mãe ao segurar minhas mãos e me abraçar para me passar o diagnóstico com a maior doçura possível, constatou – se que meu tumor tinha 5,5 cm, localizado na mama esquerda e não havia vestígios de câncer em nenhuma outra parte do corpo!!! 🙏🏽🙏🏽

Informou – me ela então: ” Iniciaremos pela quimioterapia!” Pensei: ” Eu fazendo quimioterapia?”

Ela questionou-me quanto ao fato da escolha de uma oncologista. Pensei: “Nunca pensei que precisaria de uma oncologista!”

Bem, a vida tem dessas!! Há coisas que você pensa que jamais acontecerá em sua vida! Mas acontece!!! E como li na postagem da lindíssima Paty Albuquerque: ” Não desperdice o câncer!”

Delícia estar aqui escrevendo sobre tudo isso!! Amo escrever!!! Sou professora de Língua Portuguesa!!! E terei muitas histórias para contar!!! Esta é apenas minha primeira publicação!!!!

Essas imagens mostram a noite em que conheci a adorável Ane!!! Corrida noturna! Eu estava inscrita, mas não pude realizar a prova pelo fato de ter feito minha primeira sessão de quimioterapia no dia anterior! A querida Claudia correu por mim! Noite emocionante aquela! O pessoal da Box funcional fez uma linda homenagem! Inesquecível! E a Marcela fez as honras de me apresentar a quem estaria a me acompanhar naquilo que nos move: o tratamento e a corrida!!!

Estamos juntas nessa, amiga Ane!!! 💪🏽💪🏽💪🏽

Juntas somos melhores

Após o fechamento do ciclo de 21 dias da última quimioterapia, iniciei o tratamento hormonal, que são comprimidos diários num período de 5anos, e com o início dos comprimidos alguns calorões efeitos da menopausa forçada, mas tudo administrável.

O meu protocolo de radioterapia indicado pela Dr. Denise seria de 25 sessões, na primeira consulta com a médica da radioterapia mais uma surpresa, 25+5 sessões, totalizando 30 sessões diariamente.

Na segunda consulta, fui acompanhada pelo meu marido, e fui atendida por uma enfermeira, que me perguntou se eu praticava atividade física, e falei que eu corria e fazia treinamento funcional, ela me autorizou continuar as atividades com algumas restrições, sendo: sem exercícios de força nos braços e sem pegar sol, portanto, os treinos no Ramiro apenas em dias nublados, e, em dias de sol faço corrida na esteira. Para quem é corredor de rua, correr na esteira é entediante, mas é sempre a última opção, tenho percebido que corro muito mais feliz quando consigo treinar no Ramiro, ao ar livre é muito mais revigorante.

No mesmo dia da segunda consulta foi feito o “planejamento” para a radioterapia, que consiste em fazer um molde que será utilizado todos os dias, e é feita a marcação, com tinta. Essa marcação deve ser mantida, com isso o cuidado para não esfregar o local.

O início da radioterapia aconteceu, três semanas depois da data que eu imaginava que iria começar, mas pelas minhas contas ainda finalizo o tratamento esse ano.

Entre a finalização da quimioterapia e o início da radioterapia participei de uma gravação do programa “Eu & Você” da minha vizinha Nelly, sobre a superação do câncer com atividade física, juntamente com o Franklin, que foi carinhosamente apelidado de anjo.

Também fui entrevistada pela Andrea, que tem um blog sobre corrida, e é integrante do grupo “Mulheres que Correm” que organizam treinos femininos e incentivam a corrida.

http://vidaeumacorrida.blogspot.com.br/

 

Sobre a radioterapia, eu conversei com algumas amigas que fizeram o tratamento, a maioria delas, fiquei sabendo que fizeram a radio depois que eu tive o meu diagnóstico, pois a radioterapia não tem efeitos colaterais tão agressivos e principalmente visíveis como a queda dos cabelos durante a quimioterapia. Alguns cuidados extras com hidratação são mais importantes, pois a radioterapia resseca muito a pele, e antes mesmo de iniciar eu tive uma irritação nos olhos, e a oftalmologista receitou um colírio lubrificante para utilizar até o final do tratamento.

Uma amiga me falou que o mais demorado da radioterapia é o ir e vir, lá o procedimento é rápido, outra amiga me falou que o ruim é a concentração de pessoas doentes, mas na minha percepção a radioterapia tem sido meu tempo comigo mesma.

Nas primeiras sessões a minha respiração estava um pouco ofegante, mas depois foi normalizando, em todas as sessões eu deito, fecho os olhos e agradeço a oportunidade de estar passando pelo tratamento.

Sou imensamente grata por ter conhecido pessoas especiais durante todo o tratamento, uma delas é a Kalinka, que foi diagnosticada com câncer de mama, e está fazendo o tratamento de quimioterapia, e mantem as atividades físicas e a corrida, nos identificamos muito e iremos compartilhar o blog, com isso ocorrerão algumas mudanças e, nas próximas postagens, Kalinka também irá relatar sobre a experiência dela e como está lidando com o tratamento.

JUNTAS SOMOS MELHORES.

Outubro Rosa

Alguns assuntos só chamam a atenção quando fazem parte da nossa realidade, assim aconteceu com o tema do mês “Outubro Rosa”, até então eu tinha consciência, sempre fiz meus exames de rotina, e agradeço imensamente que por causa dos exames de rotina eu descobri o câncer de mama, ainda no início, mas nunca fui muito atuante e participativa, porém agora a minha realidade é outra.

Esse ano fui convidada para participar de um “Outubro Rosa” diferente, e achei muito interessante, foi uma tarde muito especial, com pintura de lenço, café e palestra com nutricionista, além de maquiagem e sessão de fotos, oferecidos pela querida Alana, proprietária da marca VanCleve, elevando a autoestima, e tendo a possibilidade de trocar ideias e compartilhar informações com outras mulheres que já passaram pelo tratamento, e algumas ainda em tratamento como eu, foi realmente muito prazeroso, e pudemos desenvolver nosso lado artístico.

Li muitos comentários sobre o “Outubro Rosa”, algumas críticas, cada pessoa com sua própria opinião, porém o mês de Outubro é de “conscientização do câncer de mama”, e o câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres. Para muitas mulheres a palavra câncer ainda soa muito “pesado”, até para mim era assim antes do diagnóstico, algumas pessoas nem sequer gostam de falar a palavra câncer, e falam apenas doença, problema…  Mas eu   percebo que quanto mais natural for a aceitação, mais fácil é o tratamento e encarar o desafio da superação.

Passado o ciclo de 21 dias da última quimioterapia, fui liberada dos cuidados alimentares, e aos poucos a rotina volta ao normal, meu maior desafio nesse período foi cozinhar, a orientação é que o paciente em tratamento de quimioterapia não prepare a sua própria refeição, e descobri o motivo, a alteração do paladar. Uma das primeiras refeições eu salguei os ovos mexidos e infelizmente não conseguimos comer, mas depois disso o meu filho foi meu parceiro nas preparações, sempre experimentando e confirmando, apesar que eu não sei se uma criança de 10 anos tem condições de dizer se faltava algum tempero na comida, mas assim passamos o período.

Para finalizar o mês de outubro, fiz uma prova de corrida de 6km, que para mim foi a maior distância desde maio, foi a Meia Maratona de Pomerode, uma prova tradicional aqui na região, saímos cedo de Blumenau rumo à cidade vizinha, junto com minhas amigas vizinhas, Maira e Gercina, e ainda na garagem encontramos Alexandre e Daniela, que são nossos vizinhos que também se aventuram as vezes nas corridas de rua. A Dani começou a correr conosco em janeiro de 2016, e ficou por um curto período no grupo de corrida e depois saiu, eventualmente ela acompanha o marido em treinos de corridas finais de semana.

Na largada da prova estávamos todas juntas, vizinhas e algumas amigas do grupo de corrida, e decidi acompanhar as meninas que correm menos tempo para incentivar que elas fizessem o percurso todo correndo, sem caminhadas, infelizmente não consegui com todas, logo após o primeiro km, numa subida perdi a Gabi no caminho, mas fui com a Dani até o final da prova, as vezes que ela queria caminhar eu ia puxando na mão e incentivando para não parar, em um momento da prova a Dani me perguntou quanto tempo já tínhamos corrido, e não respondi pra ela, falei pra ela apenas que não tinha finalizado.

Para mim por enquanto na corrida não me preocupo com a questão de tempo, o tempo é o agora, o número que marca no meu relógio e no portão de chegada é apenas o registro dos minutos para completar a prova. Me sinto extremamente feliz e realizada correndo, independente de quantos minutos levo para completar o percurso.

Quando me perguntam como estou passando o tratamento sempre respondo que estou bem, mas isso não quer dizer que é fácil, cada dia é um novo desafio. Desde a notícia do câncer tenho observado mais as pessoas, refletido muito sobre muitas coisas que acontecem, e percebo cada vez mais a importância de se manter os pensamentos positivos, e o cuidado com o que se pensa e fala é primordial.